Transição entre dois mundos

O sociólogo francês Michel Maffessoli defende a tese que sugere que estamos entrando em um novo paradigma cultural, exatamente pela emergência notória de grupos que estão resgatando emoções e sentimentos que teriam sido considerados ultrapassados em função da razão e do progresso que levou a humanidade a um processo de individualização. Podemos notar esse fenômeno, de constantes transformações, se observamos a “fase tribal” na qual nos encontramos, com uma volta de valores que a modernidade julgava enterrados. A nova geração forma grupos dentro dela própria, como o movimento flash mob.

A pós-modernidade, condição sócio cultural e estetica do capitalismo contemporâneo, se configura com um perfil de fenômenos tribais. O comando do social começa a ser tomado pelas micro-tribos a partir da emoção, do afeto, e não somente da razão. O que acontece na pós-modernidade é a volta de elementos que a modernidade julgava ultrapassados, arcaicos. O neo-tribalismo é um novo humanismo, porém mais completo e rico, em que o trabalho tem o seu lugar mais ao lado do prazer, da estética e da criação.

Para  entender temos que ter em mente de que estamos no início de uma nova civilização que tende a desvendar alguns dos mistérios do universo. Porém, os rápidos progressos da tecnologia que são frutos deste novo paradigma surgem sob o signo da ambigüidade, isto é, de um lado, concorrem para a melhoria das condições de vida, de outro, ameaçam a existência de certos valores reais da vida humana.

Observamos que a saturação dos valores da modernidade e o advento de novas tecnologias de comunicação estão resultando em transformações profundas em todas as esferas da sociedade. A junção entre os meios de comunicação para as massas e a microinformática, por exemplo, aliada ao crescimento das redes comunicacionais, operam modificações não só no cotidiano como também na maneira como o homem percebe o mundo e o seu semelhante. Michel Maffesoli trata a pós-modernidade como um novo paradigma tentando não sugerir rupturas, nem radicalização, mas sim uma reorganização: de valores, idéias, visões de mundo e etc, que são provenientes da modernidade.

Estamos entrando em um novo paradigma cultural deixando para trás os traços da chamada modernidade, onde se destacaram a estrutura mecânica, a organização econômica e política, os indivíduos e os grupos contratuais. Reconhecemos, desta maneira, que estamos vivendo num contexto de grandes mudanças onde percebemos que novas formas de sociabilidade estão emergindo. Este novo paradigma pontua o fim de uma lógica individualista típica da modernidade. Estamos caminhando em direção à multiplicidade de papéis e “máscaras” em que a pessoa só existe em termos do papel ou máscara usada em dado momento ou situação.

Essa nova sociabilidade diz respeito ao tribalismo pós-moderno que está se tornando, nos grandes centros urbanos, um dos maiores expoentes dessas alterações nas relações sociais pelas quais estamos passando. Tribos bastante diferenciadas como punks, surfistas, mobbers e internautas, são exemplos desses grupos que se caracterizam pela pulsão de estar junto, que se reúnem de acordo com suas afinidades e seus interesses no momento e que não tem outra finalidade a não ser reunir-se. Esse processo de transformações vem acontecendo desde o século XVIII. As pessoas vêem a necessidade de agrupar-se em micro tribos e buscam novas formas de solidariedade que não são encontradas necessariamente nas instituições sociais habituais.

Percebemos hoje que a Internet cria uma nova forma de representação social diferente da existente na sociedade “real”, uma vez que as relações virtuais possuem um caráter muito mais dinâmico, e às vezes anônimo, que foge da concepção de vida “real” que temos fora do ciberespaço. Mas, a natureza do espaço virtual não faz dessa interação algo sem valor de sentido ou de realidade. Embora sem o contato físico, o ciberespaço é um lugar real que cria condições para uma nova forma de sociabilidade – um pouco diferente da sociabilidade habitual, caracterizada pela presença física, mas que por muitas vezes é carregada de emoções já que é realizada por pessoas reais.

O termo ciberespaço foi cunhado na década de 80 por William Gibson , um escritor canadense, que usou o termo em seu livro de ficção científica, Neuromancer . O autor define o ciberespaço como “o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores”. Trata-se de um novo espaço para a comunicação.

André Lemos comentou que “as mudanças tecnológicas modificaram as novas formas de se comunicar, e a Internet, como ferramenta, teve uma maior participação nesse processo de transformação”. Com ela, a comunicação cada vez mais se difunde, a capacidade de circulação da informação cresce em menos tempo e sua articulação é cada vez mais rápida. E o flash mob representa um fenômeno que traduz bem esta questão. Isso é percebido claramente pelo modo de convidar as pessoas para participarem da organização, que é mediada através da Internet ou outras redes de comunicação. Tendo como característica principal a instantaneidade, este movimento surge com a intenção de surpreender e causar estranhamento.

Vertente do smart mobs, uma prática que tem um objetivo mais engajado e de cunho político, a “movimentação relâmpago” é um termo criado por Howard Rheingold, especialista em comunidades virtuais, para descrever as novas formas de agregações sociais promovidas pelo uso da tecnologia da informação e comunicação, que usam como suporte a tecnologia móvel e a Internet, como emails, blogs, comunidades virtuais, etc. Os objetivos dessas movimentações são os mais diversos e as pessoas interagem umas com as outras mesmo não se conhecendo. É como Rheingold define: “os povos envolvidos na ação compartilham de uma mesma concepção e cooperam uns com os outros para se mobilizarem, tudo porque estão inseridos no mesmo contexto, utilizando-se da tecnologia e da comunicação”.


ARG

Publicado por: nmfr em: 09/24/2009

Estudar os ARGs é importante pois é uma nova forma de comunicação que atualmente é utilizado por várias empresas por se tratar de uma comunicação diferenciada e funcionando através não só de marketing viral, como de entretenimento, educação entre outras. Precisamos entender muito bem o que é e como se da a criação de um ARG. O texto da contracapa do livro “THIS IS NOT A GAME – A guide to Alternate Reality Game”, de Dave Szulborski, resume bem:

“Imagine um mundo de mistério, aventuras e fantasia, esperando para ser explorado por você. Um mundo que reage a cada movimento, com personagens e empresas que falam com você, mandam mensagens e até mesmo fornecem itens para ajudar em sua caçada. Um mundo tão imersivo que você mal distingue onde a realidade acaba e onde a ficção começa. Bem-vindo ao mundo dos Alternate Reality Games.

Os ARG´s, muitas vezes chamados de jogos de imersão, marketing viral ou ficção interativa, é um gênero de jogo online e uma das primeiras formas de arte e entretenimento que foi desenvolvida exclusivamente para a internet.”

O profissional de comunicação precisa estar buscando conhecer esses novos mecanismos, o Orkut é uma ferramenta fundamental para da suporte ao ARG, principalmente por suas comunidades, pelos fóruns. As redes sociais são imporantes para a consolidação desse game, onde milhões de pessoas se conectam ao mesmo tempo a rede, com possibilidades infinitas de mobilização.

Jogos de Realidade Alternativa.

Publicado por: nmfr em: 09/24/2009

Uma reflexão sobre criação em multi plataformas.

Nesta paisagem onde as novas tecnologias dominam o cenário surgem os ARG´s (Alternate Reality Game), que é uma iniciativa de comunicação que propõe uma experiência diferenciada aos seus usuários, mais interativa. Segundo Jonathan Waite, editor do site www.argn.com, a maior fonte de informações sobre ARG na internet

“Ainda pouco conhecidos no Brasil, os ARGs já são febre nos EUA e na Europa. O ponto de partida é uma história de mistério, com vários personagens, originada na internet. Para avançar, os jogadores devem resolver enigmas e procurar pistas nas mais diversas mídias: valem anúncios de jornal, televisão, a própria rede e até as ruas da cidade.
Geralmente, não há ganhadores, pois, para desvendar o mistério, os jogadores precisam cooperar e trocar informações. “[o que importa nos] ARGs são a história e a experiência de decifrar o mistério”

Oposto ao sedentarismo próprio do mundo virtual, o ARG valoriza a combinação de espaço físico/urbano com o ambiente de interação nesses meios, tendo uma interatividade em grande escala. Como criações em multiplataformas os ARG´s utilizam o Youtube, Orkut, Twitter, várias formas de se comunicar na internet, mas não fica restrito apenas a esse mundo virtual, são exibidos também como propaganda televisiva, em outdoor, tudo para maior interação entre os jogadores, ou seja, são jogos que misturam elementos do mundo real e virtual, criando um complexo quebra-cabeça a ser desvendado pelo jogador.

Publicado por: nmfr em: 09/17/2009

Olá, neste primeiro post venho convidar você e quem queria saber um pouco mais sobre essa cultura que vem conquistando mais adeptos a cada clique… sim, falaremos aqui sobre cibercultura e tudo que a rodeia.

Então não perca.